Janeiro é época de chuvas e de rechear os noticíários sobre suas devastadoras consequências. Até a pequena cidade onde nasci, São João da Boa Vista no interior de São Paulo, foi alvo de enchentes! As imagens, que antes eu via apenas em cidades grandes e, é claro, na capital paulista, foram registradas num dos bairros do município de não mais de 90 mil habitantes. Uma moradora mostrou ao cinegrafista, na prática, que a água chegou até a altura do pescoço. Móveis, eletrodomésticos a própria estrutura da casa... tudo danificado ou completamente perdido por conta da água. Lastimável. Prejuízos maiores foram vistos em outras cidades também maiores. Mortos e feridos estão entre as notícias mais graves. Deslizamentos de terra, alamentos que fazem ruas e carros desaparecerem, rios que não se limitam às margens e teimam em "ganhar mais espaço". Mas, qual a razão disso tudo ? De quem é a culpa? A resposta você já deve ter ouvido: a culpa é nossa. Não estou falando do gesto de jogar papelzinho de bala pela janela do carro, de jogar sacolinhas plásticas nos rios ou de empurrar qualquer porcaria pras bocas de lobo. Isso é grave, mas o pior é ouvir as autoridades dizerem que estes gestos são o principal problema. Mentira. O erro está na insensatez. Ou seja, na execução sem planejamento. Ignorar as projeções e as margens de segurança. Traduzindo: foi errado construir a maioria das cidades desta forma. O solo está impermeável por causa do asfalto. As calçadas delimitam a direção em que a água deve "correr". As galerias deveriam, mas não suprem a captação das enchurradas. Os rios não têm profundidade para comportar o volume canalizado á ele. E agora, José ?
Os homens são os culpados. Mais especificamente os homens do poder. Se têm o poder nas mãos por que não usam para tal benefício comum? Procuram culpados para não começar as obras de contenção: Falta liberação ambiental. Falta recursos. Estamos em época de chuvas! Até a própria natureza é culpada.
Agora, é preciso fazer um planejamento sério para saber o que fazer com o problema. Empurrá-lo para os outros já virou rotina dos entitulados "líderes" de seus povos. Queremos ideias novas, soluções rápidas e eficiêntes para aqueles que trabalham o ano todo para comprar seus bens e periodicamente os perdem para as enchentes que o próprio homem provoca.
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
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