sexta-feira, 12 de abril de 2019

Novo Tele Blog News

Olá, pessoal, tudo bem? Thiago Moraes aqui.

Este blog evoluiu e agora é um site: www.teleglobnews.com.br.

 Tele Blog News


No site, as postagens estão atualizadas e você pode encontrar outras novas, tudo sobre os bastidores do telejornalismo.
Também tem uma página de contatos, que você pode sugerir temas de postagens e mandar mensagens.

Também quero destacar o lançamento do Tele Blog News no YouTube. Lá, você vai encontrar vídeos sobre curiosidades dos bastidores do telejornalismo e outros relacionados ao trabalho atrás das câmeras de TV. Olha só o primeiro vídeo:



E para completar o "pacote", criei uma página no Facebook e um Instagram do Tele Blog News. Clique nas palavras em destaque para acessar as redes sociais e se inscrever.

 




A nossa comunidade está crescendo. Faça parte dela.

Abraço e até a próxima.

T.M.

domingo, 3 de abril de 2016

Como se preparar para fazer uma entrevista?

A entrevista é uma conversa entre duas pessoas com o objetivo de extrair respostas e declarações (opinativas ou não) do entrevistado por meio de perguntas feitas por um entrevistador. Nessa dinâmica o entrevistador consegue transmitir informações ao seu público “direto da fonte”. Mas, é preciso preparo antes de se encontrar com o entrevistado e, de preferência, dominar algumas técnicas que vão ajudar a desenvolver uma conversa produtiva para seu público. Além do bom resultado no ar, a entrevista bem conduzida deixa a impressão de um trabalho profissional. O contrário pode transparecer incompetência, despreparo, amadorismo e até desrespeito com o público e o entrevistado.

Imagem: Pixabay


Questões bem formuladas, postura isenta, respeito e interesse pelo que o entrevistado está falando são alguns dos principais tópicos a serem observados antes de disparar a primeira pergunta.

O que perguntar?

Antes de mais nada, pesquise mais que o suficiente sobre o assunto a ser tratado na entrevista e também sobre o entrevistado. Mesmo que o assunto não diga respeito diretamente a profissão ou mesmo a vida o entrevistado é sempre bom saber quem é a pessoa com quem conversamos, a área de atuação dela ou formação, convicções, origens e até mesmo se tem alguma passagem negativa profissional ou pessoal. Não que isso será obrigatoriamente usado na entrevista, mas informações assim podem dar base as construções de perguntas mais precisas e inteligentes. Imagine você entrevistando um político sobre desvio de verbas e não saber que ele já fez isso no passado.

Perguntas íntimas e invasivas devem ser evitadas. As questões devem ser voltadas ao interesse da maioria dos telespectadores ou a um público alvo (específico) do jornal ou programa para qual o repórter trabalha; a não ser que a linha editorial do veículo exija esse tipo de postura do entrevistador.

Como se preparar

Procure sobre os assuntos da entrevista (e sobre o entrevistado) em todas as fontes possíveis. A primeira deles você já tem em mãos: a internet. Mas, cuidado: nem tudo que é publicado na rede é confiável. É preciso checar a informação antes para não dar um fora na frente do entrevistado. Já aconteceu comigo. Fui entrevistar uma dupla sertaneja, mas por sorte fui checar antes as informações que consegui no próprio site dos cantores. Resultado: parte das informações estava desatualizada. Se eu não tivesse feito isso, eu poderia ser corrigido por eles "ao vivo", o que seria no mínimo constrangedor.

Se possível, ligue para outras fontes, pessoas que também entendem do assunto a ser tratado e pergunte sobre fatos novos ou até mesmo sobre perguntas oportunas para aquele entrevistado. Uma rápida conversa pelo telefone pode atualizar e trazer mais informações a serem discutidas na entrevista.

Alguns repórteres recebem uma pauta para fazer a entrevista. Se a apuração não for das melhores, o entrevistador vai ficar em uma saia justa na frente do entrevistado. Mesmo com as informações da pauta, recomendo fazer uma checagem de informações, mesmo que em off com o entrevistado antes.

Roteiro de perguntas

Depois de saber bem sobre o assunto e o entrevistado prepare uma sequência de perguntas começando pela mais importante. Faça pelo menos 5 perguntas de acordo com o objetivo da entrevista e seguindo a linha editorial. Cuidado com o óbvio ou perguntas menos menos importantes naquela ocasião como "Quantos anos você tem?", "Há quanto tempo você está nessa carreira?". Essas informações sobre idade, por exemplo, devem ser coletadas antes e vão servir como base de perguntas mais elaboradas do tipo: "Hoje, com 18 anos, você já é um empreendedor no ramo de aplicativos para celulares. Como você se preparou para isso?".

Veja outro exemplo: se você foi mandado para uma entrevista coletiva com um cantor que foi fazer um show na sua cidade é bem provável que, entre as perguntas superficiais, esteja algo relacionado ao último CD, a turnê, novas composições ou o ritmo de trabalhos do artista.  Se for uma entrevista mais aprofundada pode haver algo relacionado a alguma música em especial ou participação em programas de TV ou no exterior. Caso a linha editorial seja daquelas que foca mais na vida pessoal dos artistas, as perguntas podem ser mais direcionadas a vida amorosa, familiar ou mesmo discussões públicas entre artistas.

Atenção: não se prenda ao roteiro de perguntas. Preste muita atenção ao que o entrevistado responde ao invés de se preocupar em fazer a próxima pergunta anotada na sua lista. Às vezes, o entrevistado pode dizer algo que possa indicar uma nova pergunta não programada e ainda mais importante do que as previstas no roteiro.

Saiba mais sobre como formular perguntas no post PERGUNTAS - modo de fazer.

Na hora de perguntar

Mais do que apenas perguntar, o entrevistador tem o papel de representar seu público e conduzir os rumos de uma entrevista, não deixando o entrevistado fugir demais dos temas propostos. É preciso manter uma postura imparcial sem se intimidar e nem humilhar seu entrevistado. O respeito deve existir do começo ao fim da entrevista. Seja educado sempre, use palavras corretas e evite ironias, gírias ou palavras com duplo sentido. Mesmo que o entrevistado seja íntimo, trate-o com formalidade, principalmente na hora de fazer as perguntas.

Ao perguntar faça de tudo para olhar o mais tempo possível nos olhos do entrevistado, ainda mais nas respostas. Ouça, preste atenção, assimile o que ele está respondendo. Não se distraia com curiosos a volta e, muito menos, faça sinais para outra pessoa durante a resposta no entrevistado. Além de atrapalhar a concentração dele, isso demonstra falta de educação e profissionalismo do repórter. Para isso, segure firme o microfone e não o entregue ao entrevistado - você é quem conduz a entrevista e, por isso, você deve ter a "posse" do captador de áudio.

Evite perguntas tendenciosas, parciais, constrangedoras ou que criem um clima de mau estar entre vocês, afinal o entrevistado tem o direito de não responder suas perguntas e até ir embora quando quiser. Algumas perguntas são polêmicas e precisam ser feitas, mas sempre há uma maneira de fazê-las sem parecer que você esteja debochando ou tentando "desmascarar" o entrevistado. Alguns repórteres abusados encontram entrevistados "esquentados" que podem reagir de forma agressiva a uma pergunta provocadora.

Saiba mais no post Comportamento de repórter com entrevistados.

T.M.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

ESPELHO - modo de fazer

Imagem: Pixabay
"Espelho, espelho meu... Existe algum telejornal mais assistido que o meu?"

Brincadeiras a parte, o Espelho (ou script) nada mais é que o nome dado a um cronograma planejado pelo Editor-Chefe do telejornal para ser seguido por todos durante o programa. Ele vai "refletir" como será o seu telejornal, vai mostrar qual é a sequência de entrada das matérias (VT's), participações ao vivo de repórteres (Links) intervalos comerciais (Breaks), notas de notícias, entrevistas e tudo mais que compõe aquela edição. O Espelho é responsável por sincronizar o trabalho de todos os profissionais envolvidos e reponsáveis por levar o programa ao ar, desde o diretor de TV até o contra-regras.

Existem programas de computador desenvolvidos especialmente para a produção de Espelhos de telejornais, como o Easynews. Basicamente, esses softwares integram a rede de computadores da redação e proporcionam ferramentas que facilitam o trabalho dos redatores como a inserção de geradores de caracteres (GC's), cálculo de tempo das mátérias e cabeças, visualização do material "ingestado" (material bruto gravado na rua e baixado no servidor) e comunicação instantânea entre outros usuários do sistema. E a coluna dorsal de todo esse trabalho é o Espelho.

Em redações menores é possível fazer o mesmo trabalho usando ferramentas e programas simples como o Microsoft Excel ou Microsoft Word, isso porque o Espelho de telejornal nada mais é do que uma tabela (com linhas e colunas) que são preenchidas com informações técnicas como retranca, tempo do VT e deixa. Por meio disso é mais fácil organizar o que aquela edição do telejornal vai exibir naquele dia e a sequência em que isso vai acontecer.

Depois de selecionar o que vai entrar naquela edição, o editor-chefe passa a distribuir as matérias, links e demais elementos do telejornal no Espelho separado por blocos, mais ou menos assim:
Geralmente, cada bloco agrupa um segmento de matérias do dia, ou seja, reunem assuntos relacionados direta ou indiretamente, o que pode facilitar o entendimento do telespectador.

Por exemplo: as reportagens factuais - aquelas em que os assuntos aconteceram recentemente e são de grade repercussão (matérias de hardnews como tragédias ou fatos de extremo interesse público) - vão no primeiro bloco do Espelho. As matéria dos demais assuntos são distribuídas nos blocos seguintes. No último blogo geralmente vão as matérias mais leves (softnews) de cultura e esportes, por exemplo.

Os blocos são separados por um intervalo comercial (Break) que é de responsabilidade do departamento de programação e marketing da emissora. A sequência de comerciais (que geralmente têm 30 segundos cada) também é organizado como em um Espelho voltado aos profissionais do Switcher da programação geral. 

Ambos os Espelhos devem preencher os tempos destinados a eles. Um telejornal pode ter 30 minutos dentro da programação de uma emissora, mas se existir blocos comerciais esse tempo deve ser calculado, ou seja, o tempo real do telejornal no ar (Fade) será menor que essa meia hora.

O Espelho também contém indicações técnicas como a inserção de GC's, (aquelas palavras que aparecem escritas na tela indicando o nome de um entrevistado, apresentador ou cidade, por exemplo), deixa (que são as últimas palavras ou som de uma reportagem) e o tempo de duração da reportagem. Essas informações são de extrema importância para que todos os profissionais envolvidos no telejornal - como diretor de TV (que corta as imagens) e operador de áudio (que corta os sons), operador de TP (que passa as letrinhas que os apresentadores lêem) possam executar suas funções de forma orquestrada para que o programa flua no ar sem erros.

O Espelho é como se fosse a partitura de músicos de uma orquestra e o telejornal no ar é como se fosse a orquestra toda tocando em harmonia.

T.M.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

FONTES: modo de encontrá-las e cultivá-las

As notícias geralmente são trazidas ou são confirmadas por meio de “fontes”, que é a denominação que damos às pessoas que fornecem informações ou opiniões relevantes para a produção de uma reportagem. As fontes podem ser pessoas de diversos segmentos sociais que vão desde pedestres na rua até presidentes da República. Resumindo, todos podem ser fonte de alguma informação publicável ou de algum fato que pode contribuir na apuração de uma notícia. 

Certos assuntos só são publicáveis se houver a confirmação de uma fonte segura e confiável, como no caso das reportagens de denúncias. Toda acusação ou suspeita deve conter provas e na reportagem isso não é diferente. A entrevista de uma fonte pode ser considerada uma prova testemunhal na reportagem, mas às vezes essa fonte pode estar enganada ou mesmo tentar manipular o repórter contando um fato que não condiz com a realidade, seja para atingir alguém ou se beneficiar da publicação de determinada informação.

Imagem: Pixabay

Tipos de fontes de informação

Fontes Oficiais: são pessoas repensáveis por falar em nome de órgãos oficiais públicos ou privados como empresas, entidades de classe (como sindicatos), instituições (como entidades filantrópicas, Organizações Não-Governamentais ou centros de pesquisa) etc. Entre as entidades e pessoas classificadas como fontes oficiais mais comuns estão o Corpo de Bombeiros, Polícias Civil, Militar e Federal, Prefeituras, Secretarias Municipais ou Estaduais, líderes religiosos, sindicatos e Assessorias de Comunicação. Normalmente, as fontes oficiais são contactadas sempre pelas equipes de apuração de notícia, também conhecidos como rádio-escuta.
Os meios de comunicação de massa (impressos, internet, TV, rádio) podem ser uma forma de  pesquisa sobre diversos assuntos, mas não devem ser usados como fontes oficiais, pelo menos sem o devido crédito. Se a notícia já está publicada, o mérito é do repórter e do veículo de comunicação. O que pode ser feito é correr atrás de fontes para confirmar as informações que você encontrou e levar ao seu público algo novo ou inédito.

Fontes Não-Oficiais ou Extra oficiais: são quaisquer pessoas que podem estar isentas de compromisso com a informação repassada como, por exemplo, uma dona de casa que viu ou ouviu algo estranho na casa do vizinho durante um assalto ou um ex-funcionário que sabe de um esquema ilícito na empresa onde trabalhava e resolveu denunciar. Fontes extra oficiais não são garantias de que a informação é verdadeira, mas podem ser um ponto de partida para desdobrar o assunto confirmando ou confrontando o que foi dito por outras fontes.

Press-Releases

Um meio de fontes oficiais manterem contato com a imprensa ou jornalistas é por meio de um press-release, ou release (“libertação” na tradução livre em português) que , no meio jornalístico, significa liberar informações sobre um determinado assunto por meio de textos, imagens ou gravações produzidos pelas Assessorias de Imprensa. Esse material pode servir (ou não) para a composição de uma reportagem, além de sugerirem entrevistas com fontes oficiais, ou seja, seus assessorados ou colaboradores. Entre as fontes oficiais que mais usam o release estão órgãos públicos e empresas privadas.

Preservação da fonte

O artigo 7º da lei federal número 5.250, de 9 de fevereiro de 1967 (Lei de Imprensa) diz que “no exercício da liberdade de manifestação do pensamento e de informação não é permitido o anonimato. Será, no entanto, assegurado e respeitado o sigilo quanto às fontes ou origem de informações recebidas ou recolhidas por jornalistas, radiorrepórteres ou comentaristas."
Mas, antes de divulgar qualquer informação de uma fonte sigilosa é preciso assegurar-se da veracidade dos fatos por meio de provas, sejam elas gravadas, fotografadas, documentadas ou em testemunho (por meio de uma entrevista gravada). Geralmente, quando o caso é muito grave, como uma acusação de pedofilia, por exemplo, é preciso consultar se a vítima já apresentou queixa à algum órgão responsável como a polícia, PROCON, Ministério Público ou Defensoria Pública. Assim, a publicação da notícia se torna verídica e com menos risco de ser uma inverdade. Diante dessas confirmações é mais seguro gravar com uma fonte sem que ela seja identificada, distorcendo a voz e a imagem do rosto no caso de entrevistas para TV.
A preservação da fonte é usada, geralmente, quando a informação ou entrevista por ela cedida coloca em risco a integridade física ou moral dela ou até mesmo a expõe ao perigo de morte por represália. No caso de entrevistas com crianças e adolescentes (menores de 18 anos) que são vítimas de algum crime ou suspeitas de algum delito é preciso obrigatoriamente preservas suas identidades, de acordo com o ECA - O Estatuto da Criança e do Adolescente.

O outro lado

Nas acusações feitas por uma fonte o outro lado "atacado" deve sempre ser procurado e ouvido pela equipe de reportagem. A parte acusada tem direito de resposta garantido, sem dizer que é mais do que justo ouvir a versão dos acusados ou citados pela fonte.
O artigo 20 da Lei de Imprensa também informa sobre calúnia. Segundo o texto, a prática desse crime pode resultar em detenção de seis meses a três anos e multa de um a 20 salários mínimos. Por tanto, muito cuidado para não ser responsabilizado por algo que uma fonte disse, mas que na imprensa apareceu como uma afirmação feita por você.

Como cultivar fontes de informação

Para se ter uma fonte a disposição de atendê-lo é preciso tratá-la como um amigo, claro que sem intimidades, mas com respeito. Telefonar às vezes, perguntar das novidades de algum caso é uma tática, mas existem fontes que não dão esse tipo de abertura. No caso de fontes que não conhecem você, o mais indicado é se apresentar, de preferência pessoalmente.
Às vezes a relação entre fontes e repórteres pode nascer por acaso, em um evento, restaurante ou mesmo nas redes sociais. Conquistar a confiança das fontes pode custar algum tempo.
O comprometimento é outro ingrediente importante para não perder suas fontes. Prometer algo, como publicar um fato ou comentário e não fazer isso pode deixar a fonte descontente e desacreditada em você. O melhor é ser franco e verdadeiro para, assim, exigir o mesmo em troca. Se a relação for verdadeira, você sempre terá uma fonte, mas se a relação for confiável, você corre o bom risco de ter uma informação ou declaração privilegiada dessa fonte.

T.M.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Você está preparado para ser um jornalista?

Ser jornalista vai além de ter um refinado status social, ser visto como um ser de alto calibre intelectual, defensor dos interesses sociais comuns, combatente dos maus costumes ou promotor de discussões calorosas recheadas de opiniões divergentes ou convergentes nos meios de comunicação ou redes sociais. Para empunhar a caneta e o bloquinho de anotações e se tornar um desses "soldados da informação" é preciso vencer certos desafios como manter ativo o hábito da leitura, o desapego de folgas e festas de fins de semana, a perda da vida social e do convívio familiar e até mesmo do dinheiro farto ou de um registro na carteira de trabalho. Dura realidade, mas que pode compensar em diversos sentidos se você quiser realente seguir essa carreira!

Imagem: Pixabay


O que você anda lendo?
Perguntar a um jornalista se ele gosta de ler é (ou deveria ser) como se fosse perguntar se um coelho gosta de cenouras. Mas, infelizmente o índice de leitura entre os novos jornalistas está cada vez menor. Isso é fácil de ser constado nos bancos das faculdades de comunicação. Redações com palavras sem acentos, frases sem vírgulas, palavras repetidas por demais, falta de coerência de ideias ou até mesmo linguagem falada no lugar da linguagem escrita. Coloquialismo? Naturalidade? Não, mesmo. É falta de domínio e costume de ler e escrever corretamente antes de saber como desenvolver técnicas de elaboração de textos voltados ao público a qual se escreve.

O "Joãozinho" e seus porquês
Jornalista deve ser curioso, como uma criança falante. Por que a presidente não pode baixar a inflação? Por que a polícia não prende o político procurado pela Interpol? Por que o bandido foi solto mesmo depois de ser preso em flagrante? Por que os direitos não são respeitados como deveriam? Para tudo há uma resposta, agradável ou não, mas que às vezes não é entregue numa bandeja a sociedade por um "garçom-jornalista". Perguntar não ofende (pelo menos não deveria), mas se você perguntar demais e a pessoa não souber responder ela pode te expulsar do local ou armar um verdadeiro barraco. Como diz o ditado: a curiosidade matou o gato. Então, vamos cutucar a onça com uma varinha mais comprida, não é? Ou seja, vamos nos embasar com o máximo de informações antes de questionar alguém.

Seu sem-vergonha! 
Como seria uma atriz muito tímida em cena? Um policial com medo? Um açougueiro que passa mal ao ver sangue? É a mesma coisa com jornalista envergonhado. O profissional da comunicação não precisa ser descarado, roubar a atenção sempre quando chega, fazer de tudo para ser notado, mas travar na frente de um entrevistado ou da câmera é sinal de que algo está errado. Se isso acontecer, é preciso trabalhar para reverter essa situação como treinamentos ou até mesmo conversar com um psicólogo. Não se sinta constrangido por isso! Aulas de dança de salão e teatro costumam ajudar. Eu já fiz os dois. Falar na frente do espelho, gravar uma selfie no celular ou discursar em festas da família pode ser um começo para driblar o acanhamento.
  
Seja sociável
 Jornalistas falam de pessoas para pessoas. Falam do que elas fazem ou deixam de fazer e as outras, do outro lado da telinha, rádio, web ou jornal, querem saber das coisas que as interessam. Estar acessível é uma maneira de facilitar que a informação chegue até você para ser publicada. Uma maneira de fazer isso é participar de ações sociais como o futebol com os colegas do trabalho ou uma reunião na câmara de vereadores. Algumas pautas nascem até mesmo em conversas de botecos, na padaria, na fila do banco, nas redes sociais e até com a ajuda daquela vizinha fofoqueira. Informação não ocupa espaço e pode ser muito bem acumulada. E elas vêm, geralmente, por meio de redes de relacionamentos individuais ou coletivos. Cultive suas fontes, sempre!

Gostar do que faz
 Ter prazer e satisfação pela função que exerce torna o trabalho menos cansativo, traumático, doloroso ou irritante. Mas, assim como o gosto amargo dos remédios, cada profissão tem seus lados menos atrativos. Ser jornalista pode ter momentos em que será preciso manter a calma e não desanimar como quando o chefe chamar sua atenção ou aquela matéria que você fez com tanto entusiasmo for alterada ou até mandada para o lixo. No começo da carreira isso parece a queda num abismo de estalagmites ou um corte profundo no peito feito por um punhal eletrizante e venenoso, mas tenha paciência. Com o tempo, a experiência e o amadurecimento profissional mostram que esse tipo de coisa incomoda, mas não tanto quanto antes. Portanto, seja forte sempre, até mesmo de estômago. Sim, algumas vezes você pode ver o que não gostaria ainda mais se for um repórter policial. Você sabe do que eu digo. Já vi esfaqueados, esquartejados, membros decepados ou órgãos que não deveriam estar do lado de fora. Mas, calma! Sem pânico. Se não gostar disso, ainda tem a editoria de política, educação, economia, esporte, tecnologia e mais umas 20 outras que não envolvam o estado de saúde das vítimas ou plantões no IML.

Ser o máximo do mínimo
Um dos problemas do jornalismo é a arrogância. Achar que sabe de tudo, deixar o sucesso subir a cabeça ou mesmo menosprezar os que estão a sua volta ou aqueles que começaram depois de você. Já vi colegas meus agirem dessa forma e o resultado não foi muito agradável. Também já vi grandes jornalistas se portarem dessa forma. Isso só serviu para diminuir a admiração que tinha por eles. Se você pensa em ser jornalista só para aparecer na TV, só te desejo boa sorte. Ainda acredito que o conteúdo é bem mais valorizado que a beleza física. Muitos têm a sorte de se darem bem por terem o "padrão de beleza" aceitável para determinados fins jornalísticos. Assim como os melhores perfumes podem estar nos menores frascos, os piores venenos também. Resumindo: combata o ego inflado – isso afasta muita gente de você.

Supere as expectativas
 Basicamente, o que se espera de um jornalista é uma boa base de conhecimentos gerais, um bom português escrito e falado e uma boa desenvoltura na execução de suas tarefas. O "algo a mais" será por sua conta e pode fazer a diferença na hora da contratação. Um inglês fluente, o domínio de um assunto específico de interesse do veículo de comunicação ou a experiência de trabalhos anteriores estão entre os primeiros itens listados pelas chefias de redação como diferenciais de um candidato a uma vaga. E você? Já pensou em seu diferencial?
Se você já estiver contratado, meus parabéns! Hora de superar as expectativas de seus superiores com boas ideias de pautas, personagens para ilustrar uma reportagem ou colher informações que possam fazer de uma reportagem "A Reportagem". Ler e reler o seu texto antes de entregar pode evitar erros de português e te salvar de uma crítica com fundamentos documentados pode você mesmo! Ah, e não reclamar da escala de plantões de fim de semana e feriados é outra dica importante. Eu mesmo emplaquei uma reportagem nacional em um plantão da noite de um fim de semana! Olha só: http://g1.globo.com/hora1/edicoes/2015/08/10.html#!v/4381040

Boa sorte nesta nova e viciante carreira.


T.M.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

PERGUNTAS - Modo de fazer

Entrevistar alguém não é simplesmente sair perguntando o que vier na cabeça. As perguntas são uma das principais ferramentas de trabalho de um repórter e devem ser bem formuladas para extrair uma boa resposta do entrevistado. Algumas técnicas ajudam na elaboração de boas questões e evitar que o entrevistador seja desacreditado diante do entrevistado ou de seu público.

Imagem: Pixabay

Tipos de perguntas

Existem perguntas que dão a possibilidade do entrevistado elaborar, pensar e dar uma resposta melhor, embasada na opinião dele ou na descrição de um fato. É o caso das perguntas abertas.
Exemplo: "Qual sua opinião sobre a maioridade penal ser reduzida para 16 anos?"

Além de pedir uma análise ou opinião de um caso ao entrevistado, outra forma de fazer perguntas abertas é usar no início das questões "Quais", "De que forma", "Como", "Por que" etc.

O contrário disso são as perguntas fechadas, que podem fazer o entrevistado limitar a resposta em "sim", "não" ou pouquíssimas palavras.
Exemplo: "As investigações apontam que o copiloto tinha problemas psicológicos?"

Perguntas longas podem fazer o entrevistado se perder na tentativa de enterder o que você quer com essa questão. Se preciso for, contextualize, mas sem alogar-se demais. Pense nas réplicas e tréplicas dos candidados nos debates políticos. Elas têm perguntas mínimas, mas argumentações gigantes que mais parecem uma "palestra". É bom evitar isso.

Perguntas abrangentes podem dar margem ao entrevistado escolher o foco da resposta e falar sobre o que mais o agrada.
Exemplo: "Qual sua opinião sobre a vida?" - aqui, o entrevistado pode preferir falar da vida profissional, vida social, vida familiar ou filosofar sobre a existência do ser humano na Terra. Nesse caso só resta aceitar a declaração que vier. É preciso ser objetivo na pergunta. Quanto mais específico for, mais direto ao ponto será a resposta.

Perguntas complexas devem ser evitadas, já que o trabalho do repórter é esclarecer os assuntos e não os complicar ainda mais. Usar termos técnicos, jargões que só dizem respeito àquela profissão (como advogado, médicos ou cientistas) pode confundir quem não entende do que se fala. Pedir pro entrevistado evitar esses termos ou explicá-los em uma linguagem coloquial ajudam. Tenha pra si que se você não compreende o que está sendo perguntado ou do próprio assunto, melhor entender mais sobre o tema e reformular a pergunta.

Normalmente, as perguntas devem ser precisas, objetivas, curtas e claras.

Roteiro de perguntas

Antes de começar uma entrevista é indicado planejar antes as perguntas. Faça um roteiro com as questões que serão feitas no momento em que estiver frente a frente com o entrevistado. Esse planejamento também garante a fluidez da conversa . Para isso, faça uma boa pesquisa do assunto a ser tratado e, se for necessário,  também do entrevistado. Muitas vezes saber quem realmente é o dono das respostas pode ajudar na elaboração de perguntas estratégicas.

Evite desperdiçar perguntas com indagações básicas. Ao invés de perguntar quantos títulos ou medalhas um atleta tem, busque essa resposta na sua pesquisa e faça uma indagação melhor. Isso evita que o entrevistado pense que você veio para a entrevista despreparado ou mal sabe quem é ele. O indicado é fazer perguntas que estimulem a opinião, análise ou descrição do entrevistado.

Outra dica é começar o roteiro por perguntas referentes ao foco do tema. Se for entrevistar um político sobre a inauguração de um viaduto, por exemplo, prefira fazer primeiro perguntas da obra em si, depois passe pra outras perguntas pertinentes a outros assuntos de interesse público e por último a questões mais "pesadas" ou delicadas. Como em um jogo de xadrez, uma indagação pode deixar o entrevistado em xeque-mate e se ele se sentir contra a parede pode até encerrar a entrevista. Para que o repórter não fique sem nenhuma resposta, deixe aquela pergunta "provocativa" para o final.

O roteiro de perguntas formulado antes não precisa ser obrigatoriamente seguido. Se momentos antes da entrevista se descobre algo ainda mais interessante do que foi planejado é recomendado formular perguntas na hora. Isso acontece muito com base nas respostas do entrevistado. Se ele disse algo que estimule uma pergunta exclarecedora ou reveladora, a próxima questão do roteiro pode esperar ou até mesmo "cair".

Perguntar não ofende

As perguntas podem vir carregadas de segundas intenções. Questões tendenciosas podem constranger, irritar e até mesmo criar um clima desagradável entre quem pergunta e quem responde. Se o objetivo nunca foi ser "amigo" do entrevistado, siga em frente sabendo dos riscos em ganhar um novo "inimigo". Invadir a privacidade com perguntas maldosas pode resultar até mesmo em processos de difamação.

Já levar a público um assunto de interesse social, como a descoberta do envolvimento do entrevistado em um esquema de desvio de verbas públicas chega a ser um direito da sociedade à essa informação. Mas, antes de perguntar sobre assuntos assim certifique-se de que há provas legítimas e que elas estejam em seu poder.

T.M.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O fim do "rádio-escuta"




Uma das funções mais antigas no jornalismo de televisão está com os dias contados: o "rádio-escuta". Ele já ajudou muito no passado, principalmente em reportagens policiais, mas está quase no fim da carreira.
Imagem: Pixabay

Como o próprio nome diz, este profissional é quem ficava escutando o rádio da polícia e bombeiros para saber das ocorrências que poderiam virar uma boa "pauta quente". Muitas edições foram salvas por este profissional que, de repente, saia gritando pela redação que um prédio estava pegando fogo, que acontecia um assalto, troca de tiros ou que havia um acidente gravíssimo na rodovia. Parece um mensageiro de más notícias? Pode ser, mas para muitos editores-chefes, o rádio-escuta era considerado um salvador da pátria, um santo milagreiro, um mensageiro direto da "Nossa Senhora do Factual".



Quem é esse cara?
Imagem: Pixabay
O rádio-escuta é um profissional antenado, que sabe das linguagens em código do rádio da polícia: QSL = entendido, TKS = obrigado, QTH = local da ocorrência, QRA = nome da vítima ou suspeito, e assim vai.



Sabe distinguir as áreas de atuação das equipes policiais e de resgate, a jurisdição de cada compania, mas NUNCA pressionava o PTT - aquele botão na lateral dos rádios que se aperta para falar - na frequência em que monitora. Se fizer isso pode atrapalhar a comunicação entre policiais e isso é considerado crime.


Por que a função está acabando?
Ouvir o rádio da polícia é ilegal, mesmo que seja com as melhores intenções (jornalísticas), ou seja, fazer um furo de reportagem. No passado, era comum cada redação de TV ter um aparelho de rádio PX para ficar "corujando" (monitorando, ouvindo) as frequências das forças de segurança local, mas pessoas mal intencionadas também descobriram que poderiam fazer isso. E isso atrapalhava e muito os flagrantes da polícia.

Quem substitui o rádio-escuta?
Na era comtemporânea, o rádio-escuta foi se transformando e se adequando as modernidades da nossa época. Hoje, esse precurssor da notícia tem outras fontes para monitorar como rádios e TVs 24h de notícias e sites. A nomenclatura passou de "rádio-escuta" para "apurador de notícias". A "Central de Escuta", a sala desses profissionais, passou a se chamar "Agência de Notícias" e no fundo, fazem a mesma coisa que no passado: buscam informações para abastecer a produção nas redações.

Quem é esse tal de apurador?
Normalmente, os apuradores são pessoas com muitas fontes, ou seja, tem muitos contatos que podem fornecer informações para boas pautas. Pode ser desde a faxineira de uma delegacia, atendendente de um hospital, cozinheira de uma creche ou até mesmo o secretário de segurança do estado. Além de monitorar rádios, TVs, jornais locais e sites, o apurador está frequentemente telefonando para suas fontes pessoais ou oficiais (delegacias, hospitais, bombeiros etc) para saber das novidades noticiáveis. Tudo que virar matéria é colocado em um relatório e distribuído na hora para a redação. O produtor, pauteiro ou chefe de reportagem que se interessar passa a buscar mais informações e a mobilizar equipes de repórteres para cobrir o fato, ou mesmo, entrar ao vivo.

Oportunidade na apuração
Esse cargo, gerlamente, existe em redações de médio e grande porte. Muitas vezes, essa função é a porta de entrada para muitos estagiários. Se o aspirante a  jornalista se der bem, pode abraçar o cargo efetivo ou mesmo passar para a pauta, produção, reportagem e por aí vai.

T.M.

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